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Palavras que eu nunca disse

Assim como meu caráter
Não tive a oportunidade
De escolher minha personalidade
Já veio de fábrica, quando nasci

Se pela minha boca não saem
Assim tantas palavras
É porque penso mais do que cabe em minha alma
E prefiro esculpi-las no papel a berrá-las por aí

Se não nasci com o dom da extroversão
Não cabe a você
Nem à sua regra
A minha introversão

Ser diferente não me intitula
Não sei por que ainda me rotula
Se nem eu mesma sei quem sou

O preconceito tem as mais diversas faces
Ou será que isso é só miragem
De uma alma em desalento?

Não peço que me entenda
Tampouco compreenda minha dor
Desejo apenas que respeite
A pessoa que existe embaixo dessa pele

Pois é assim que sou

Caminhos sem cores


Já faz um tempo que tenho buscado razões profundas e caminhos certos. Mas, na verdade, apenas cacei desculpas esfarrapadas e rodei em círculos todo este tempo. As razões que busco não estão escondidas em algum lugar da rua, como em uma caça ao tesouro. Tampouco os caminhos certeiros são aqueles que me dizem para seguir. Venho perseguindo motivos errados. Ações amorfas.
        Estou em um caminho sem cores, sem trilhos, sem poeira das estrelas. Sem poesia, música ou o algo a mais que torna nossos dias possíveis. Sem aquele sentimento que não podemos descrever, embora tantos o chamem de amor. Estou em um caminho superficial, com relações de aparências, com tecnologia que nos priva ao invés de aproximar. Estou em um lugar no qual simples opiniões divergentes causam guerras, há uma luta estética, rolando muito dinheiro e pouca ética.
        Estou tão distante de um tempo que não passou há muito. Parecem séculos, mas não foram duas décadas. Havia mais brilho no olhar e menos competição. Mais amizade e menos especulação. Mais caminhos para se seguir, razões para perseguir, motivos para possuir.

Às vezes odeio


Às vezes odeio todos os livros de autoajuda lotado de frases otimistas e premissas de um futuro maravilhoso. Quando estou no poço e sinto-me afundar cada vez mais, todas as frases positivas parecem promessas falsas, afinal, é muito fácil dizer coisas bonitas quando se está no topo do mundo. Mas, no fundo do poço, tudo o que é bom parece querer afundar junto.
E não é fácil sair do abismo. Há uma areia movediça que prende os pés e um abraço que se passa por caloroso a prender os braços, mas de caloroso não há nada. O negativismo parece seduzir como qualquer outra coisa que vicia. Ficamos viciados em ficar para baixo. Nos depreciar cada vez mais, porque jamais seremos bons o suficiente.
Mas não é verdade. Não há nada de bom em sentir-se a mosca do cocô do cavalo do bandido. E os autores de autoajuda foram sinceros com você. Não precisamos estar com a vida feita ou plenamente satisfeitos para desejarmos o melhor para nós mesmos, é verdade: você merece o melhor, simplesmente por estar nesse mundo enfrentando todas as dificuldades desta vida louca.

Desconstrua velhos hábitos... destrutivos


Você já parou para pensar nas coisas que faz no modo automático? Quem leu "O poder do hábito", de Charles Duhigg, sabe que escovar os dentes ou tomar banho são ações que realizamos sem a necessidade de pensar nelas. Não nos importamos em como vamos fazer, simplesmente fazemos. E tudo bem, nosso cérebro agradece o fato de pouparmos raciocínio para assuntos mais importantes. O problema é quando nossos próprios pensamentos agem por conta própria.
Todo mundo já fez algo no qual não se saiu muito bem, seja um trabalho acadêmico, o exercício de alguma função específica no trabalho, uma tarefa doméstica. Isso também não é problema algum: aprendemos justamente com nossos erros. O problema, contudo, está quando nos acostumamos com a ideia de que não somos bons o suficiente em algo e, ao invés de arrumarmos meios para solucionar esse problema, criamos ciclos viciosos de pensamentos automáticos.
Deixe-me exemplificar. Imagine alguém que não se saiu muito bem em uma atividade uma única vez na vida e, por medo, decidiu nunca mais tentar nada parecido. Pode ser uma profissão, uma palestra, lidar com um cliente difícil no trabalho. Da próxima vez que esta pessoa precisa enfrentar a mesma situação, ela recua, lembrando-se de que talvez não seja o mais qualificado para exercer tal função. E isso, de forma inconsciente, vira um hábito do pensamento: "Ah não, isso eu não faço, não sou bom nisso". Ao invés de mudarmos a estratégia para alcançar algo, nosso próprio pensamento nos boicota, agindo em modo automático e nos privando de qualquer atitude desafiadora.

Solução

Às vezes o mundo é um lugar difícil de habitar e o peso de tudo parece sufocar a alma. Tem dias que enfrentar a vida parece impossível, que somos pequenos e frágeis demais para lidar com uma mosca sequer. Contudo, se do veneno se faz o antídoto, do mesmo mal do mundo podemos extrair o bem que a Terra precisa. 
Às vezes um olhar compreensivo salva o dia. E são nesses dias que me permito pensar que a humanidade ainda poderia salvar o mundo, se ao invés do problema buscássemos ser a solução...


A era virtual

Vivemos nesta era louca da internet, na qual passamos mais da metade do nosso dia – e de nossas vidas – online.
Estar online é quase viver em outro mundo, afinal, na internet podemos ser nós mesmos ou quem desejarmos. Podemos estar anônimos, nos tornar famosos ou mostrar para o mundo uma vida perfeita. Podemos vestir qual máscara quisermos e nos escondermos onde bem entendermos. Podemos ser populares ou termos uma vida de Instagram, podemos ser alguém que nada tem a ver com quem somos na vida real.
A globalização tornou o mundo pequeno e as pessoas cada vez mais próximas. Ou não. A cada dia mais crimes de ódio e cyberbullying surgem por aí. O que acontece na internet se espalha como fogo e a vida de pessoas são destruídas. Mas, em contrapartida, as blogueiras ganham fama, dinheiro e prestígio, o marketing brilha como nunca.
Perde-se um terço do dia online. Ou será que ganha? A internet é uma heroína, uma vilã, ou nenhuma das duas? Afinal, a internet fez o mundo evoluir drasticamente. Possibilitou a interação entre pessoas, países e vidas completamente diferentes. Disseminou informação, conhecimento e entretenimento. Mas é claro que toda droga possui efeitos colaterais.

Precisamos falar sobre Sísifo

Sísifo é uma figura mitológica, considerado o mais astuto de todos os mortais. Após levar uma vida rebelde e de malícia, quando morreu, foi condenado a, por toda a eternidade, rolar uma pedra grande de mármore com as mãos, até o cume de uma montanha. Contudo, toda vez que estava quase alcançando o topo, a pedra rolava novamente para baixo.
O esforço de Sísifo, além de repetitivo, levava sempre ao fracasso. “Preso aos seus próprios meios, contudo, a única alternativa era mudar”.
Quantas vezes agimos como Sísifo?
Quantos momentos da nossa vida são compostos por ações automáticas, costume ou simplesmente não paramos para pensar? Estamos presos em rotinas e ações que muitas vezes sequer questionamos.
Vivemos uma vida extremamente acelerada, estamos o tempo todo com a cabeça a mil e não temos tempo. Apesar dessa nova era ter trazido mudanças incríveis para o mundo, também trouxe um “modo de viver automático”, onde fazemos sempre as mesmas coisas e, muitas vezes, os esforços repetitivos são em vão: a pedra rola ladeira a baixo e voltamos para a estaca zero.

Se frustrar aos vinte e poucos não é o fim do mundo

Mas parece.
Principalmente porque vivemos em um mundo de grandes celebridades que ganharam a vida muito antes dos 18 anos. Então, chegar próximo à essa realidade – bem irreal para a maior parte da população – é a maior ambição dos jovens de hoje.
Nós, de vinte e tantos, vivemos na chamada geração Y, caracterizada pela pressa em querer tudo para ontem e em conquistar o máximo de sucesso profissional o quanto antes. Mas calma lá. Isso não parece estranho, agora que colocamos no papel?
Vejamos nossos pais, pelo menos os meus. Começaram a trabalhar muito cedo, em qualquer coisa que fosse possível. Demorou anos para construírem seus “impérios” (vamos chamar assim estabilidade financeira, casa própria e condições de criar os filhos).
E agora queremos tudo antes de chegar aos 20. Mas, quando chegamos – e passamos – e vemos que tudo está cada vez mais distante, nos sentimos frustrados e um fracasso total. Parece não haver solução e estamos cada dia mais velhos para conquistar o mundo.
Nossos pais achariam isso um absurdo. Pois ainda temos toda a vida pela frente e, qualquer besteira, pode ser consertada a tempo. Já meti os pés pela mãos várias vezes e agi como se o mundo fosse acabar se eu não fizesse tudo como mandava o figurino: comecei a faculdade aos 17 anos e achei que, com 20, estaria com passe livre para o sucesso profissional e a vida dos meus sonhos.
BULLSHIT!

Essa dor não é minha

Ao longo da minha vida tentaram me atribuir várias dores. Deixe-me explicar. Certa vez li que a dor não é sentida sozinha. Concordo. Acho que, para muitos, a dor é algo tão inadmissível que não pode ficar dentro da gente, ou seja, precisamos passar adiante.
Passar a dor adiante significa forçar outras pessoas a aceitá-la. Parece loucura, não é mesmo? Não podemos sentir uma dor que não é nossa!
Pois veja bem. Quando adolescente, enfrentei muitas dores que não eram minhas. Aliás, eu nem tinha mágoas na minha vida, sempre fui uma criança feliz e amada. Mas não era assim com todo mundo. Quantas crianças e adolescentes não descontavam suas frustrações nos outros? Quantos não praticavam bullying, agressões e tantos outros insultos unicamente porque estavam tristes?
Aquela dor, nascida em casa, precisava ser imediatamente repassada. Oras, eu, como inúmeros adolescentes por aí, nunca havia feito nada de mal. Então por que era vítima de tanto desafeto na escola?
Simples. Porque algumas pessoas precisavam repassar a sua dor. Na época eu não entendia. Achava que o problema era eu. Mas hoje eu compreendo: aquela dor nunca foi minha.

Quando paramos de pensar?

A globalização trouxe tudo ao alcance das mãos. Ou ao alcance de um clique, melhor dizendo. A tecnologia fez maravilhas pelo mundo moderno e somos frutos de uma era onde tudo se encontra fácil e sem o menor esforço.
Por outro lado, estamos tão envoltos em rotinas cada vez mais apressadas que fazemos quase tudo no modo automático. Precisamos trabalhar, estudar, limpar a casa, cuidar dos filhos, resolver problemas pessoais, fazer compras, tudo em apenas vinte e quatro horas diárias. E, é claro, quando sobra tempo também queremos assistir ao futebol, ao filme novo ou à novela das nove.
E deixamos cada vez mais de pensar. Temos tudo tão fácil que o livre arbítrio, a vontade de buscar a essência da vida, de buscar conhecimento, é deixada de lado pelas necessidades e pelo supérfluo do dia-a-dia.

Flor de cera

Há um ano eu vi pela primeira vez uma flor de cera. Ah, fiquei encantada com sua beleza! Uma flor que mais parecia um bibelô. Na mesma época, minha mãe ganhou uma muda da graciosa planta. Um vaso, um espaço arejado e lá estava a pequenina criando raízes em nossa casa.
Pouco tempo depois deste episódio, precisei mudar de cidade. Deixei minha terra natal, o conforto da casa dos pais e tudo o que conhecia para morar e trabalhar em outra cidade.
Não foi fácil.
Diria, até mesmo, que foi a coisa mais difícil que já fiz.
Tanta saudade, dificuldade, coisas que eu não tinha ideia de como fazer. Tantos desafios e momentos de reflexão. Uma lista de dias, semanas, meses e anos. Um planejamento. Um futuro. Um desejo.

Café de domingo

Durante a minha infância, até os doze anos, meus domingos eram reservados para visitar meus avós paternos. Eu ia com meus pais e irmã religiosamente, todas as tardes de domingo, independente de chuva ou sol.
A conversa ia e vinha na casa dos meus avós, mesmo que às vezes eu insistisse com meu pai para voltar mais cedo, pois queria jogar vídeo-game. Contudo, nunca íamos embora sem antes desfrutarmos de um típico café da tarde em família.
O café era simples, mas repleto de carinho. O pão francês quentinho, a fatia de queijo, o presunto e o cheirinho de café passado na hora, de um jeito especial que ninguém mais fazia. Um café forte, doce e com espuminha em cima, do jeito que eu gostava.

Quando tudo vai pelos ares

Ficar triste? Não adianta.
Desanimar, chutar a parede, gritar aos quatro ventos? Nada disso muda nadinha de nada.
Nosso mal é pensar que temos uma vida segura e estável, seja no âmbito amoroso, financeiro ou profissional. Achamos que podemos controlar tudo ao nosso redor, mas não damos conta de que nossa vida é um castelo de cartas e, quando menos esperamos, vem uma lufada de vento e leva tudo pelos ares.

Entrevista - TV Jundiaí

Olá pessoal!

Hoje vim mostrar uma entrevista super legal para o programa Acesso Geral, da TVE Jundiaí, falando um pouquinho sobre as antologias literárias em que participei =D


Espero que gostem ♥

Não seja amigo dos seus monstros

Os piores medos são aqueles que nós mesmos cultivamos. Os piores demônios são os que alimentamos como um animal de estimação e cuidamos como um jardim que floresce a cada dia.
Eles estão dentro de nós.
Ao longo dos anos absorvi tudo o que se passava ao meu redor como uma esponja. Sem me dar conta, bebi cada gota do veneno alheio que me era desferido. A cada dia uma parte de mim era envenenada. A cada dia, uma parte de mim se quebrava. Porque eu era incapaz de lidar com o que ocorria. Incapaz de deixar que as coisas ruins não me atingissem.
Fui criando um medo após o outro. Cada acontecimento me afetava, ao passo que a bola de neve tornava-se cada vez maior. Claro que as coisas boas deveriam ser eternizadas em minha mente, mas as coisas ruins acabavam tendo um peso muito mais forte ao enraizar-se dentro de mim.

Evento + Fotos + Wattpad

Oi gente!
Hoje vim falar um pouco mais sobre o evento Livros em Pauta, realizado no último dia 30, em São Paulo.
Tivemos o lançamento de várias antologias da Editora Andross neste evento e eu participei em duas: Legado de sangue, contos de terror e suspense e Viagens de Papel, contos e crônicas de temática livre.
O evento foi ótimo, com muitas atividades e palestras, a reunião dos autores cheia de novidades e a oportunidade de encontrar os outros autores, é claro ♥
Quem quiser adquirir um exemplar basta entrar em contato pelo e-mail amandabistafa@hotmail.com.

Tempestade de Mim

Gosto de olhar a chuva pela janela do meu prédio. A forma como as gotas caem do céu e percorrem os arranha-céus até tocarem o chão. Consigo passar horas contemplando esse percurso repetitivo e refletindo sobre os pequenos pingos e gotículas da minha vida.
Encontro a mim mesma entre o céu nublado e carregado de nuvens, ora cinzas, ora brancas. Sinto a brisa fresca tocar minha pele, arrepiar os pelos do meu corpo e acariciar minha coluna vertebral como um fantasma. Não ligo. O vento frio aumenta meu torpor e me faz encarar o céu com ainda mais convicção.

Publicações de 2015

Boa noite!

Esse é um post super especial para divulgar minhas publicações de 2015. Ano passado comecei a escrever também contos de suspense e terror (pois como sabem sou apaixonada pelo gênero ♥ rs)

Em 11 de abril será lançada a antologia "Eu me ofereço! Um tributo a Stephen King", com organização de Rô Mierling e Editora Illuminare, onde participo com o conto "Fim da Linha".
Trata-se de uma coletânea de contos de terror em homenagem ao (mestre) Stephen King. Terá edição em inglês e português. As edições são limitadas, para adquirir entrar em contato pelo e-mail: antologiasbrasileiras2014@gmail.com



Em 30 de maio será lançada a antologia Legado de Sangue, da Editora Andross, com organização de Alfer Medeiros, no evento Livros em Pauta, em São Paulo, onde eu participo com o conto "Sob a Penumbra". Trata-se de uma coletânea de contos de terror e suspense. Mais informações a respeito do evento serão divulgadas em breve. Também estarei vendendo exemplares, para adquirir entrar em contato pelo e-mail: amandabistafa@hotmail.com



Pó de pirlimpimpim

É estranho pensar que nos tornamos adultos e deixamos toda a magia da infância para trás sem nem percebermos. Compreendo que a vida adulta impõe uma série de restrições, implicações, obrigações e coisa  e tal. É realmente difícil encontrar magia na vida quando ela está repleta de contas de água e luz para pagar, IPVA, IPTU, estresse e falta de tempo. A rotina tem uma face carrancuda e é muito difícil livrar-se dela, sinto-se assim também.
Mas, vez ou outra, nos refugiamos nos livros e filmes e lá encontramos toda a magia que não temos em nossas vidas. Vivemos emoções fortes, aventuras inimagináveis, sentimos borboletas no estômago e frio na barriga. E é justamente essa pitada de magia que quero levar para a vida. É necessário não levar a vida tão a sério, afinal, não sabemos quando nossa estadia neste mundo chegará ao fim. Não podemos esquecer que morremos um pouquinho a cada dia, por isso, por favor, vamos viver um pouquinho a cada dia também.

Resultado Aquarela Contos e Crônicas

Confiram o resultado da promoção no Blog Fundo Falso!


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