Aparência

Olhando a figura a minha frente
Reparo em sua falta de jeito
Ah, com o escárnio encho meu peito
Sua formosura ao chão é rente

A deselegância faz-me descrente
Tem aspecto de algo mal feito
A cor da pele, dos olhos, eleito
Tão estranho, errado, diferente

Com o padrão tão distante do certo
De uma sociedade perfeita
Tento olhar o estranho de perto

E vejo a imagem tumefeita
Refletida em espelho incerto
Era eu a pessoa imperfeita


Essência

Perdemos nossa essência pelo próprio medo de perdê-la. É assustador. Quantas coisas fazemos por obrigações impostas? Desde a roupa que vestimos até o trabalho que exercemos. Quanto do que fazemos realmente representa quem somos?
Existem escolhas demais entre os nossos sonhos e o caminho para realizá-los. E sempre há a dúvida se realmente estamos no caminho certo. Ou se existe um sentido para nós nessa vida.
Ou se apenas alguma mísera coisa faz sentido.
Mudamos o tempo todo com a certeza de que o que realmente importa continuará conosco. Mas tenho minhas dúvidas. Com todas as pedras no caminho é difícil não deixar um ou outro sonho de lado. Será que continuaremos a ser nós mesmos enquanto compreendermos tão pouco da vida?
Existem conflitos demais, complexos demais, infinitos demais, coexistindo dentro e fora de nossos universos.
E em meio a tantas incertezas, confesso que ainda sequer sei quem sou...

O mundo acontece quando estamos distraídos

Mude o foco.
Alguns dizem que se conselho fosse bom, seria vendido e não dado. E eis aqui um conselho clichê: mude o foco do que te faz mal. Mas, na verdade, não é bem um conselho, é mais um desabafo.
Constantemente somos bombardeados por frases motivacionais, “foca no trabalho”, “foca nos estudos”, “foca na foca”. Porém, algumas vezes, mudar o foco é o que ajuda.
Você já passou por alguma situação em que está super focado em algo, quase obsessivo, melhor dizendo, e tudo ocorre de forma tão errada que você sente que está “encantado”? Que há um tabu envolvendo aquilo e que você JAMAIS irá conseguir?
Pois é.
É assim que me sinto.
E é por isso que decidi dar um tempo. Mudar o foco, melhor dizendo. Pensar em outras coisas.  Fazer outras coisas. Parar de enviar energias tenebrosamente negativas para o universo.
Decidi deixar apenas a janela aberta. Decidi escolher a dúvida.
Não sei qual será meu futuro, mas ouvi dizer por aí que a vida acontece quando estamos distraídos...


Abismos

      Sou uma pessoa minúscula com dúvidas gigantes. Sou pequena no espaço e no tempo e enorme dentro da minha cabeça. Sou cheia de acertos e erros, repleta de altos e baixos, como qualquer pessoa normal. Mas de normal não tenho nada. Crio monstros a todo momento, vivo coisas que jamais existirão, sonho com realidades paralelas. Perco-me em mim mesma, mas me amedronto com a imensidão do mundo. E a imensidão da solidão, da maldade, do abismo. Mundos tão diferentes, tão iguais. Mas pra todo mal, existe um bem. Para todo julgamento que recebemos, há um sorriso. Há algo além. Algo que compense os dias tristes.


Razão

      Às vezes só precisamos de uma razão. Algo para preencher o vazio existencial que surge como um carrapato quando não estamos olhando. Às vezes só precisamos canalizar nossas forças no que realmente importa, não abrindo mão de tudo o que conquistamos, mesmo que pareça que não conquistamos nada. Nem sempre é fácil ter fé. Nem sempre nos sentimos libertos. Há amarras demais quando temos dúvidas. E estamos absortos nelas. Mas se não houver uma razão, o vazio nunca será preenchido. Não deixe o abismo te engolir como um buraco negro, pois ele sugará até a última gota da sua alma. Fique frio, fique salvo. Há uma razão para estarmos aqui, não deixe que nada te faça esquecer.


Caminhos sem cores


Já faz um tempo que tenho buscado razões profundas e caminhos certos. Mas, na verdade, apenas cacei desculpas esfarrapadas e rodei em círculos todo este tempo. As razões que busco não estão escondidas em algum lugar da rua, como em uma caça ao tesouro. Tampouco os caminhos certeiros são aqueles que me dizem para seguir. Venho perseguindo motivos errados. Ações amorfas.
        Estou em um caminho sem cores, sem trilhos, sem poeira das estrelas. Sem poesia, música ou o algo a mais que torna nossos dias possíveis. Sem aquele sentimento que não podemos descrever, embora tantos o chamem de amor. Estou em um caminho superficial, com relações de aparências, com tecnologia que nos priva ao invés de aproximar. Estou em um lugar no qual simples opiniões divergentes causam guerras, há uma luta estética, rolando muito dinheiro e pouca ética.
        Estou tão distante de um tempo que não passou há muito. Parecem séculos, mas não foram duas décadas. Havia mais brilho no olhar e menos competição. Mais amizade e menos especulação. Mais caminhos para se seguir, razões para perseguir, motivos para possuir.

Final infeliz

Já passamos pela Revolução Industrial
Que foi longe de ser a ideal 
Estamos na Era do Conhecimento
Mas pela empatia o que está sendo feito?

Vivemos na era da "não qualidade"
Maximizando lucros, diminuindo custos
Sem importar com a imoralidade
De colocar no corpo tóxicos produtos

Aumenta a competitividade 
A rivalidade, a criminalidade 
Às custas da bondade
Se perde a equidade, não há mais igualdade

O abismo só aumenta
Entre as classes sociais 
O imposto tributário, os salários irreais
A escassez de emprego, de oportunidade
Só corroboram para a precariedade

Sociedade moderna
Ideia ultrapassada
Preconceito enraizada
Nas entranhas da história 

Somos só marionetes
Em um mundo de gigantes
Se não quer fechar os olhos
Então passa adiante 


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Criado por: Andréa Bistafa.
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