Julgamento

Não importa o que você faça, sempre aparecerá alguém para criticar. Não importa se você ainda está aprendendo, ou que não é perfeito, ou que está se esforçando, ou que você faz aquilo por hobbie, ou que deu o seu melhor, ou que está melhorando, ou que é o seu primeiro dia, ou se você faz para ajudar e não pede nada em troca, ou que não é especialista no assunto, etc., etc. Sempre haverá alguém insatisfeito com o que você fez, mesmo que esse alguém não esteja em posição de julgar. 
Sempre tem aquela pessoa que vai dar deslike no seu vídeo, no seu texto, na sua música, na sua foto, na sua vida. Que vai dizer que algo não é bom, como se tivéssemos a obrigação de sermos sempre perfeitos e agradarmos a todos (mesmo que existam milhares de personalidades diferentes no mundo!). Sempre haverá alguém para dizer que você não é capaz, mas, na verdade, só deixamos de ser capazes de algo quando, ao invés de tentarmos, nos restringimos a apenas julgar e julgar e julgar.

O tempo todo

É tão difícil nos desligarmos de nossas vidas automáticas e realmente sentir o mundo à nossa volta. Não costumamos reparar no céu azul ou na beleza das nuvens, não sentimos o vento em nossa pele ou a sensação boa dos raios solares incidindo pela manhã. Tomamos o café apressados, não relaxamos com a água quente que inunda nossos banhos ou o arrepio ao andar descalço no piso frio. Estamos o tempo todo envoltos em sensações que não ligamos. Pensamos e criamos problemas vãos o tempo todo. Deixamos escapar a vida o tempo todo.

Reféns

Estamos tão presos a nós mesmos, tão reféns dos nossos próprios medos, que transformamos bênçãos em tormentas, sobrevivência em prisão, amor em indiferença.
Crescemos acumulando bens e menosprezando o próximo. Tentamos ser fortes e independentes, mas para isso queimamos toda a empatia como combustível. Transformamos futilidades em grandes problemas e a grandiosidade da vida em uma rotina monótona e, muitas vezes, infeliz.
Aprendemos a ser iguais e a apontar o dedo para o diferente. Desbotamos, evaporamos e perdemos a nossa essência. Éramos humanos, mas queríamos ser máquinas. Vendemos nossa alma por algo inanimado, mas jamais questionamos se as máquinas ousariam desejar, uma mísera vez que fosse, qualquer outra coisa que não tornar-se humano... 

Real

Sempre questionei o mar da sua imensidão e o céu da sua realidade. Sempre me pareceram tão distantes, quase como se existissem em outra dimensão e apenas participassem desta como espectadores.
Tantas coisas nos parecem tão distantes e inalcançáveis, tal qual os sonhos que se limitam a surgir apenas quando dormimos. E quando sonhamos acordados, sempre há algo para nos lembrar das nossas limitações. O que nos impede de alcançar nossos sonhos? O que falta para acreditarmos em nós mesmos?
Somos tão reais e grandiosos como o céu e o mar, ou apenas espectadores das nossas próprias vidas? 


Miopia

Não pense que a vida é só rotina ou que você é apenas mais um pedaço da sociedade. A vida de verdade está naquele espaço que nem sempre conseguimos enxergar, como a manhã ensolarada após a neblina ou o arco-íris que segue a tempestade. Atrás da poluição, do trânsito e da cobrança do cotidiano há muito mais da verdadeira essência da vida. Que tal começar a semana enxergando o mundo além das miopias da vida moderna?


Quebrados

Às vezes tentamos nos encaixar em algum padrão, como se fosse nós quem estivéssemos quebrados, quando, na verdade, é o mundo que desmorona à nossa volta.
Quantas vezes temi morrer engasgada nas palavras que não falei. Tantas vezes sufoquei minha essência com medo de me tornar exatamente o que não queria ser. Tentei agradar uma sociedade doente, simplesmente por não ser a pessoa perfeita que esperavam de mim.
Sempre lutei por ser aceita, mas, na verdade, não posso aceitar qualquer coisa que não me deixe ser eu mesma. Não vou me desculpar por palavras não ditas quando não me fizeram falta. Não vou tentar provar para ninguém que posso ser como eles, porque não faço mais questão de ser. Quero continuar assim, repleta de poesia, pois o que está além desta vida ninguém pode tirar.

Solução

Às vezes o mundo é um lugar difícil de habitar e o peso de tudo parece sufocar a alma. Tem dias que enfrentar a vida parece impossível, que somos pequenos e frágeis demais para lidar com uma mosca sequer. Contudo, se do veneno se faz o antídoto, do mesmo mal do mundo podemos extrair o bem que a Terra precisa. 
Às vezes um olhar compreensivo salva o dia. E são nesses dias que me permito pensar que a humanidade ainda poderia salvar o mundo, se ao invés do problema buscássemos ser a solução...


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Criado por: Andréa Bistafa.
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